É importante que a perspectiva ecológica seja contemplada na leitura da Bíblia, procurando articular o grito do pobre, com o grito da criação, em busca da libertação, em vista de um reconciliado e uma vida e feliz para todos. Alguns textos da Sagrada Escritura podem servir de fontes inspiradoras para o nosso pensar e agir com relação à natureza e o meio ambiente.
No artigo anterior, nos referimos ao Gênesis sobre a ação criadora de Deus e ao papel do ser humano na casa comum, espaço da vida de todos. Hoje, queremos destacar outros textos de bíblicos, que são, por assim dizer, uma espécie de insights ecológicos, que chamam nossa atenção para o cuidado com a vida do planeta.
O Povo de Deus estabelece normas que garantem a preservação e reprodução das espécies.
No livro do Deuteronômio (Dt 22,6-7), aparece esta orientação sobre o modo de lidar com pássaros e ninhos de aves: pode-se tomar posse dos filhotes, mas deve-se deixar que a mãe pássaro voe livre. Trata-se de uma lei que desperta nas pessoas a preocupação com a fonte da vida e com a continuidade do processo de reprodução, para que a espécie não seja extinta.
Se devemos nos preocupar com a preservação de espécies animais, muito mais nos deve preocupar a vida humana, hoje tão banalizada. Entendendo o texto acima a partir do contexto da Bíblia, é bom lembrar o que escrevia o profeta Isaías, trazendo a figura da ave e seu ninho, ao referir-se à devastação provocada pela Assíria, quando esta invadiu e devastou povos e suas terras: “A minha mão, como em um ninho, apanhou a riqueza dos povos... colhi a terra inteira e não houve ninguém que batesse asas, ninguém que desse um pio (Is 10,14). Tudo fora destruído e tanto o meio ambiente, quanto a vida do povo, ficara desintegrada.
Este fato nos remete à situação atual de países, hoje arrasados não só pelos fenômenos da natureza com os terremotos, tsunamis, como também, pelas guerras que poderiam ser evitadas. São tragédias cujos evidentes sinais da destruição nos deixam perplexas. Para perenizar- seu poder e com o pretexto de garantir a governabilidade, ditadores apela para a repressão e decretam a morte da população inocente, destroem seus bens, condenando muitos ao flagelo da fome. Em nome da segurança e da paz para os povos atingidos, os impérios modernos promovem a guerra, desintegrando a sociedade e provocando a migração forçada para outros países.
Se nos comovemos diante da morte de uma baleia ou de outro animal, muito mais indignados devemos ficar diante das vidas humanas ceifadas pelos conflitos armados entre povos, pelos acidentes de trânsito, pelos esquadrões da morte, pela falta de acesso à saúde, pelo tráfico de drogas e de pessoas e por tantas outras causas. Mas não basta se comover. É precioso tomar posição e somar força com todos os grupos e organizações que se mobilizam para mudar essa realidade.
Os Salmos cantam ao Deus da vida e a beleza da sua criação
São poesias ou hinos onde o povo de Deus manifesta seus sentimentos, tristezas, alegrias, desânimo, lamentação, clamores sonhos e esperanças. Daí os diversos tipos de salmos: de louvor, de ação de graças, de súplica e confiança individual ou coletiva.
Alguns salmos foram feitos, especialmente, para cantar a beleza da criação e elevar a Deus louvor e ação de graças reconhecendo as maravilhas por ele realizadas: “Tua presença irrompe por toda a terra” (S 8,2; Cf tb Sl 104, 19,2-7). Na harmonia do universo, as pessoas descobrem a força da Palavra de Deus: “A Palavra de Javé é reta e sua obra toda é verdade” (Sl 33,4). Nos fenômenos naturais como as águas e trovões, ventos e tempestades, o povo escuta a voz de Deus e enxerga sua mão, que o conduz pelos caminhos da vida e da história ( Sl 29,3-9). A ação criadora revela o poder que Deus tem e usa para libertar, salvar e conduzir seu povo (S 95,3-7).
O Salmo 104 canta a grandeza e o lugar de Deus na criação. O salmista refere-se aos elementos que constituem o cosmos: o céu, a terra, a lua, o sol, as estrelas. Atribui ao Espírito de Deus a força vital que sustenta o universo: “Envias o teu Espírito, eles são criados, e assim, renovas a face da terra” (v.30).
Um chamado ao compromisso com a vida, como cidadãos deste mundo
“Somos, ao mesmo tempo, cidadãos de nações diferentes e de um mundo no qual a dimensão local e global estão ligadas. Cada um compartilha da responsabilidade pelo presente e pelo futuro, pelo bem estar da família humana e de todo o mundo dos seres vivos” ( Carta da Terra).
Vivemos num mundo globalizado marcado por crises socioambientais. Em todo lugar onde vivemos e por onde passamos sentimos na pele os efeitos da poluição do ar, das águas e do solo. A verdade é que pagamos caro por pelos estragos que provocamos à natureza. Aqui, vale lembrar o ditado popular: “Deus perdoa sempre, o homem, às vezes, mas a natureza nunca perdoa”. É hora de nos redimir e mudar de atitude. É tarefa de todos e de cada um/a de nós, cuidar da promoção e defesa da vida, preservando o meio ambiente. Cada ação individual ou coletiva, no local de moradia, de trabalho, nos ambientes públicos ou particulares, tem repercussão positiva na qualidade de vida de toda a humanidade e do planeta.
.Defesa da vida do Planeta: o Santuário Santa Paulina abraçou esta causa.
Situado em Vígolo, Nova Trento, SC, num cenário ecológico que enche os olhos e faz vibrar o coração, o Santuário Santa Paulina é um espaço de comunhão com Deus, com os irmãos e com a natureza e de compromisso com a vida. Portanto, faz parte da missão das Irmãzinhas da Imaculada Conceição, neste espaço sagrado, despertar os peregrinos para o cuidado com relação à natureza e o meio ambiente.
Desde o início da quaresma deste ano, estamos somando força com a Campanha apresentada pela CNBB: Fraternidade e a Vida do Planeta. Com essa finalidade, estamos oferecendo aos peregrinos e devotos de Santa Paulina que chegam até aqui, sugestões de compromissos que ajudam levar à prática CF 2011. Cada qual é convidado a retirar de uma cesta, um bilhete com a proposta de uma atividade ou atitude para melhorar a qualidade de vida da terra e de todos os seres que fazem parte da criação de Deus. Da grande lista das propostas apresentadas, destacamos as que seguem:
- Economizar energia elétrica, diminuindo o tempo no banho, a temperatura da geladeira, o uso do ar condicionado e de aquecedor.
- Não usar mais sacolas plásticas nas compras da casa.
- Desligar o computador e a TV, quando não utilizados.
- Usar no transporte, mais bicicleta e menos carro e motocicleta, para diminuir a poluição do ar.
- Substituir o copo de plástico por copo de papel ou usar uma garrafa de água.
- Tomar conhecimento sobre as ações do Conselho Municipal do Meio Ambiente da sua localidade e participar de algumas delas.
- Separar o lixo da sua residência para a reciclagem.
- Ao escovar os dentes, ao barbear ou lavar as mãos, não desperdiçar água.
- Cultivar flores na sua moradia.
- Lavar as calçadas e o carro, com água usada na lavagem da roupa.
- Parar e silenciar, para escutar e contemplar a natureza: o barulho da água, o canto dos pássaros e outros.
- Não jogar lixo no chão nem na minha casa, nem em lugares públicos, mas colocá-lo nos seus recipientes.
- Informar-se sobre aquecimento global, degradação de ecossistemas, esgotamento dos recursos naturais e porque desaparecem tantas espécies.
- Estar atento a possíveis vazamentos das torneiras, dos chuveiros e dos canos: 10 gotas de água por minuto desperdiçam 2000 litros de água por ano.
- Usar de forma moderada, gel, xampu e detergentes, pois eles contaminam a água. Procurar produtos ecológicos.
- Ao tomar banho, deixar a ducha do chuveiro aberta só o tempo indispensável, fechando-a enquanto estiver me ensaboando.
- Não lavar os alimentos com a TORNEIRA aberta; utilizar um recipiente. Ao terminar, esta água pode ser aproveitada para regar as plantas.
- Utilizar água não potável para regar jardins e lavar calçadas; usar água de cozimento de alimentos para regar plantas.
- Informar-se sobre a reciclagem do lixo, pois metade da produção industrial é reciclável. Por que não reciclar e economizar?
- Não jogar nenhum tipo de lixo no chão, no mar, rios, lagos e nas praias.
- Aderir à lei do três ‘erres”: RECICLAR- transformar em novas propostas de utilização; REDUZIR- o consumo desnecessário e responsável; REUTILIZAR- os bens.
- Recuperar caixas de papelão em embalagens de papel e contribuir para que diminua o corte de árvores, responsáveis pela captação do gás metano e da purificação do ar.
- Consultar a Prefeitura ou Condomínio sobre a possibilidade de um sistema seletivo de lixo.
- Nas compras de mercado, usar sempre caixas de papelão, ou sacolas de papel ou de pano.
- Fazer uso racional de guardanapos, lencinhos, ou outro material de papel.
- Procurar conhecer cooperativas e empresas que trabalham com materiais recicláveis como: jornais, livros velhos, garrafas, pilhas e outros metais, etc.
- Evitar o consumo de enlatados como o Atum que está em via de extinção; e a sua produção consome muitos recursos e energia.
- Evitar, na medida do possível, alimentos – transgênicos- (OMG organismo manipulado geneticamente); segundo estudos feitos por peritos no assunto, sua produção contamina os Ecossistemas, deteriorando o meio- ambiente.
- Não consumir carne de animais exóticos, como tartaruga, jacaré, etc. Não comprar pescados pequenos para consumir, para não colocar em risco a espécie.
- A partir de agora, consumir mais frutas, verduras e legumes do que carnes.
- Produzir a menor quantidade de lixo possível.
- Usar água quente somente quando necessário; acender o aquecedor somente 2h por dia, graduando-o entre 50° e 60°C. E o quanto possível, tomar banho com água fria, que é mais saudável.
- Evitar o uso do FERRO de passar, AQUECEDOR e MÁQUINA DE LAVAR em excesso, pois estes gastam muita energia, esgotando os recursos naturais.
- O PETRÓLEO, CARVÃO e GÁS utilizados para atender a demanda energética são combustíveis geradores de gases, como o “dióxido de carbono” e aumentam temperatura global.Vou aprofundar meus conhecimentos sobre estes produtos e como evitar o uso dos mesmos.
- Desligar a TV, o rádio, computador as luzes , se não estiver usando. No local de trabalho, apagar as luzes de espaços pouco utilizadas.
- Utilizar lâmpadas de baixo consumo de energia.
- Diminuir o uso de veículo particular e utilizar mais o transporte coletivo.
- Verificar a emissão de gases do seu veículo. Não acelerar quando o veículo não estiver em movimento.
- Reduzir o uso de ar condicionado do carro, pois reduz a potência e eleva o consumo de gasolina.
- Utilizar a bicicleta na medida do possível e meios de transportes coletivos.
- Reduzir consumo de papel e usar, o quanto possível, papel reciclado utilizando os dois lados.
- Reutilizar as embalagens, caixas, papel de presente e outros e rejeitar, o quanto possível, produtos descartáveis.
- Educar as crianças e jovens, na família, na escola e comunidade, sobre a importância do cuidado da natureza e do meio ambiente.
- Participar de organizações que se empenham na defesa e preservação do ambiente e divulgar suas iniciativas.
- Usar coadores- guardanapos, fraldas infantis e toalhas de pano.
- Quando comprar produtos feitos de papel, prefira os reciclados ou os que trazem selos de certificação, como o do Conselho de Manejo Florestal(FSC).
- Evitar fazer grandes compras mensais. Comprar apenas o que for necessário, com a certeza de que não vai jogar nada fora.
- Colocar no seu prato, somente o alimento que vai comer, para evitar o desperdício.
- Para conservar as hortaliças por mais tempo, guardar inteiras, sem cortar ou descascar e deixar em sacos plásticos na parte baixa da geladeira. Frutas maduras devem ser conservadas no refrigerador. Deixar em temperatura ambiente, somente até amadurecerem.
- Reaproveitar talos, sementes, folhas de verduras e cascas de frutas, que têm alto valor nutritivo.
- Organizar o dia-a-dia para precisar o menos possível do carro. Se fizer caminhadas, aproveitar para passar no banco ou na padaria, etc.
- Ao comprar um carro, escolher um carro mais econômico e menos poluente e evitar utilizá-lo para ir a lugares não muito distantes.
- Utilizar ao Maximo a iluminação natural. Substituir as lâmpadas incandescentes por fluorescentes, que consomem menos energia.
- Quando encontrar um papel ou outro lixo no chão, recolhê-lo e colocá-lo no lixeiro, evitando poluir o meio ambiente.
- Quando saborear uma bala ou outros doces, dobrar o papel para o vento não carregá-lo e colocá-lo no cesto de lixo.
- Não queimar lixo ou outros materiais, para evitar a poluição do ar e mesmo aproveitar o material que for útil para adubo, colocando-o num lugar adequado.
- Não lavar os alimentos com a TORNEIRA aberta todo o tempo, mas utilizar para isso, uma vasilha. Depois, usar esta água para regar as plantas e as flores.
- Ler na Bíblia, refletir com a família, a Carta aos Romanos, capítulo 8,18-22, onde vou encontrar o lema da Campanha da Fraternidade 20011.
- Esta foi uma iniciativa muito feliz, pois pelo que vimos e ouvimos, houve uma grande acolhida às nossas propostas de compromissos com a Vida do Planeta. Muitos dos peregrinos levaram bilhetes com as sugestões não só para si, como também para os membros da sua família, para grupos de convivência e setor de trabalho. Outros gostaram tanto da idéia que repetiram a experiência nas suas comunidades e escolas, nos grupos do apostolado da oração, de jovens e outros.
Você também pode fazer a sua parte. Com certeza, a Vida do Planeta e de todos os que nele habitam, sairão ganhando com a minha e a sua participação. Queremos salvar o nosso Planeta enquanto é tempo. Portanto, nosso empenho neste sentido, deve continuar ao longo deste ano e sempre.
Fontes
Beozzo Pe. José Oscar (Org.), Ecologia: Cuidar da Vida e da integridade da criação, Curso de Verão – CESEP, Ano XX, Paulus, 2006.
CRB, Sabdoria e poesia do povo de Deus, Coleção Tua Palavra é Vida 4, Edições Loyola, 1993
CNBB, Texto Base, CF 2011, Ed. CNBB
CEBI, Livro dos Salmos, Roteiros para reflexão V, 1997.
Ir. Teresa Nascimento






